FranceReservado a membros 24/06/20265Adicionar aos favoritos

A moção de rejeição falhou. A Assembleia Nacional se aproxima da votação sobre a lei "ajuda a morrer". Mas, ao excluir os médicos do gesto letal, os parlamentares reconheceram eles mesmos a contradição irredutível de seu projeto. Isabelle de Franclieu analisa a mecânica de um texto que se destrói por sua própria lógica.
Tínhamos acompanhado, em nossas edições anteriores, o progresso do projeto de lei sobre a "ajuda a morrer" na Assembleia Nacional: o fracasso do referendo, a resistência dos profissionais de saúde, a mobilização cidadã. A semana de 23 de junho de 2026 marca uma virada. A moção de rejeição apresentada pelos opositores ao texto foi rejeitada por sua vez. A votação definitiva se aproxima.
Em mais de cinquenta cidades da França, no dia 23 de junho, cidadãos se reuniram sob a palavra de ordem: « Nossos moribundos não são um estorvo. » Em Paris, a mobilização ocorreu nas proximidades imediatas da Assembleia. Não se trata de um fato diverso: é o povo dizendo o que a lei não quer ouvir.
A moção de rejeição foi rejeitada em 23 de junho de 2026. Em seguida, os deputados aprovaram uma emenda que exclui os médicos do "gesto letal" previsto pelo texto: apenas "profissionais de saúde habilitados" – categoria a ser definida por decreto – poderão administrar a substância mortal. Essa decisão revela uma contradição constitutiva do projeto: se o ato é um cuidado, por que afastar o médico? Se não é um cuidado, por que fazê-lo passar por tal?
François Bayrou, primeiro-ministro, entregou um texto ao coletivo organizador da manifestação de 28 de junho em Paris, destacando que « a tomada em charge pelo sistema de saúde da morte organizada » levanta questões éticas fundamentais às quais o texto não responde. O distanciamento é notável. Não é suficiente para deter o processo.
O documentário "Anesthésia", de Damien Boyer, lançado nos cinemas em 24 de junho de 2026, oferece um contraponto impressionante: mostra doentes em cuidados paliativos, acompanhados até o fim, cujo rosto desmente a retórica do sofrimento inevitável. Não se trata de um requisitório, mas de um testemunho. Às vezes, isso é mais eficaz.
O erro filosófico do texto é antigo. Consiste em confundir a compaixão com a supressão daquele que sofre. João Paulo II o havia identificado com uma clareza que nada abalou desde então: « A vida humana é sagrada porque, desde a sua origem, ela comporta a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim » (Evangelium Vitae, n. 53). Não se trata de uma opinião religiosa: é a afirmação de que a vida não é uma propriedade da qual se disporia à vontade.
O Catecismo da Igreja Católica é direto: « A eutanásia direta, quaisquer que sejam as suas motivações e formas, consiste em pôr fim à vida de pessoas deficientes, doentes ou moribundas. Ela é moralmente inaceitável » (CEC, n. 2277). A formulação « quaisquer que sejam as suas motivações e formas » é capital: ela fecha a porta a todos os disfarces compassivos.
O argumento da exclusão dos médicos, adotado pela própria Assembleia, confirma o que a teologia moral sabe desde Hipócrates: o ato médico não pode ordenar a morte do paciente. Que os parlamentares tenham eles mesmos reconhecido essa incompatibilidade é uma confissão involuntária da natureza do gesto que querem legalizar.
A Igreja da França não esperou por esta votação para se engajar. Os bispos lembraram várias vezes a necessidade de desenvolver os cuidados paliativos em vez de organizar a morte. O documentário "Anesthésia" ilustra o que cuidados bem conduzidos podem oferecer: não a abolição do sofrimento, mas a presença, o sentido, o acompanhamento.
Para os fiéis, a questão é também prática. A cláusula de consciência individual prevista no texto protege o médico que recusa. Ela não protege o estabelecimento católico. Não protege a enfermeira que talvez seja obrigada a participar de um processo que julga contrário à sua vocação. Esses pontos cegos são reais. Merecem ser nomeados.
O texto apresenta uma contradição fundamental que nem mesmo seus defensores resolveram: pretende instituir um « direito de morrer » ao mesmo tempo que exclui a profissão cuja missão é precisamente cuidar. Um direito sem titular designado é uma ficção jurídica.
A mobilização cidadã de 23 de junho mostra que a opinião não está tão conquistada pelo texto quanto seus promotores afirmam. Mas a rua não vota. E o calendário parlamentar, esse, avança.
É preciso também nomear o efeito de declive. Nos Países Baixos, a regulamentação autoriza desde 2024 a eutanásia de crianças com menos de 12 anos portadoras de doenças incuráveis. Não se trata de um argumento do absurdo: é a lógica interna do princípio, desdobrada no tempo. Quando se aceita que a morte possa ser um cuidado, não se fixa uma fronteira estável.
« Quanto mais uma pessoa é vulnerável, mais nosso dever é de solidariedade para com ela. » Essa formulação, extraída dos próprios debates parlamentares pelos opositores ao texto, é uma verdade natural que a Igreja não inventou. Ela a recebeu e transmitiu.
Manifestar-se em 28 de junho em Paris é um ato cívico. Apoiar os cuidados paliativos é um ato de civilização. Nomear a verdade, sem brutalidade mas sem eufemismo, continua sendo o primeiro dever de um católico engajado na cidade.
A eutanásia é uma grave violação da lei de Deus, enquanto homicídio deliberado moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Esta doutrina é fundada na lei natural e na Palavra de Deus escrita.
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Enlever aux médecins le geste final, c'est vider la loi de son sens. Le soin, c'est d'abord être là, pas cocher des cases.
Cette loi sans les médecins, c'est comme un hôpital sans infirmiers : ça ne tient pas debout. On nous parle d'humanité, mais c'est du bidouillage.
En retirant les médecins du geste final, la loi avoue elle-même qu’elle ne tient pas debout. Ça sent le bricolage.
Franchement, c’est ça qui me fait peur : si c’est la famille qui doit trancher, on va droit dans le mur. Les conflits et les culpabilités, personne n’en parle.
C’est exactement ça : on leur demande de cautionner quelque chose qui va contre leur serment. Comment peuvent-ils encore exercer en conscience ?
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