France 25/06/20261Adicionar aos favoritos

O prefeito de Chessy teve que celebrar o casamento de um cidadão argelino sob obrigação de deixar o território francês. O caso revela uma profunda incoerência jurídica, agora em debate na Assembleia Nacional.
O prefeito de Chessy (Seine-et-Marne) celebrou em junho de 2026 o casamento de um cidadão argelino sujeito a uma obrigação de deixar o território francês (OQTF). Ele declarou ao Figaro ter querido "colocar o Estado diante de suas incoerências": a lei francesa obriga um prefeito a casar duas pessoas quando uma delas possui um título de residência válido, mesmo que a outra esteja em situação irregular com uma medida de expulsão em curso.
Este caso provocou uma reação parlamentar imediata. A UDR de Eric Ciotti apresentou uma proposta de lei visando proibir o casamento de estrangeiros em situação irregular sob OQTF. O texto será examinado com o apoio potencial dos Republicanos.
A incoerência é jurídica: uma OQTF significa que o Estado decidiu que a presença da pessoa no território é contrária à ordem pública, mas a lei sobre o casamento civil não prevê a verificação do título de residência.
O caso do prefeito de Chessy não é um fato diverso: é um revelador da tensão entre dois direitos concorrentes na lei francesa – o direito ao casamento (reconhecido como direito fundamental pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem, art. 12) e o direito do Estado de controlar seu território e suas fronteiras.
A proposta Ciotti levanta uma questão que nem a direita republicana nem a esquerda progressista resolveram completamente: o casamento civil pode ser usado para regularizar uma situação irregular? A resposta do direito positivo é matizada, mas a resposta da opinião pública é cada vez mais categórica.
A Igreja Católica defende com constância o valor do casamento como instituição natural, anterior ao Estado. Ela não poderia aprovar uma lei que proibisse duas pessoas de se casarem com base no título de residência de uma delas – isso seria subordinar uma instituição natural a um ato administrativo.
Mas ela também recorda que a autoridade civil tem o direito e o dever de regular as migrações, e que o casamento não deve ser instrumentalizado como via de regularização. A distinção entre o casamento como aliança de duas pessoas livres e o casamento como estratégia migratória está no cerne deste debate, que o direito canônico, por sua vez, resolveu há muito tempo.
A verdadeira questão levantada pelo caso de Chessy não é, em primeiro lugar, jurídica: é uma questão sobre a coerência do Estado de direito. Um Estado que emite uma OQTF e, simultaneamente, obriga um prefeito a celebrar o casamento da pessoa em questão contradiz-se a si mesmo. Essa contradição não será resolvida por uma proposta de lei, mas por uma reflexão séria sobre os fundamentos da comunidade nacional e do direito à residência.
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C’est vrai que ça fait un peu absurde : on célèbre un mariage alors que l’un des deux va peut-être être expulsé dans la semaine.