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Sem revisar o Traditionis Custodes, o Papa Francisco multiplica os gestos que devolvem ao rito romano a sua solenidade antiga. Uma resposta pela liturgia às tensões doutrinais do momento.
Tínhamos acompanhado, ao longo das últimas semanas, a dupla tensão litúrgica na qual León XIV se baseou. De um lado, o cardeal Raymond Burke reclama publicamente a revisão de Traditionis Custodes e a criação de um dicastério dedicado à liturgia tridentina (Infovaticana, 16 de julho de 2026). O cardeal Sarah, alguns dias antes, havia declarado que a Igreja não tem autoridade para suprimir a missa latina. De outro lado, a Fraternidade São Pio X apresenta seu recurso canônico contra a excomunhão de 2 de julho. La Croix, em sua análise “à-vif” de 17 de julho, descreve um papa que não responde com um texto, mas com uma postura, e coloca abertamente a questão de sua maneira própria.
O artigo de La Croix, assinado na seção “à-vif” de 17 de julho de 2026 sob o título “Carta do Vaticano”, é escrito desde Castel Gandolfo, onde León XIV retomou o quartel-general quatrocentos anos exatamente depois que Urbano VIII o fez a residência de verão dos papas. É dessa continuidade material com a Roma barroca que o jornal tira a questão que dá título à crônica: até que ponto esse papa americano é realmente tradicional? A resposta esboçada não é nem a de um retorno formal ao missal de 1962, nem a de uma continuidade indistinta com o pontificado anterior. Traditionis Custodes (motu proprio de 16 de julho de 2021) permanece em vigor e nenhum projeto público de dicastério para a forma extraordinária vazou do Vaticano. O que muda, nesta etapa, é da ordem do estilo romano mais do que do direito.
Sacrosanctum Concilium, a Constituição conciliar sobre a liturgia (Vaticano II, 4 de dezembro de 1963), lembra no § 36 que o uso da língua latina será conservado nos ritos latinos. O mesmo documento especifica no § 116 que o canto gregoriano, considerado pela Igreja como o canto próprio da liturgia romana, deve ocupar o primeiro lugar nas ações litúrgicas, todas as coisas sendo iguais. O que León XIV dá a ver em seu estilo pontifical não faz senão restituir o que o Concílio mesmo havia explicitamente pedido para preservar, contra os excessos de uma reforma lida como ruptura. É uma hermenêutica da continuidade (Bento XVI, discurso à Cúria de 22 de dezembro de 2005) aplicada primeiro à maneira mais do que ao decreto.
Para os fiéis apegados à Tradição, o sinal é duplo: a restauração litúrgica não é tabu em Roma, mas não passará por um retorno à forma extraordinária no quadro jurídico atual. Para os defensores da reforma pós-conciliar, a maneira de León XIV lembra que o Vaticano II nunca quis a tabula rasa, e não fornece, portanto, pretexto para uma revolta contra o papa. Para a Cúria, finalmente, a mensagem é clara: o magistério também se transmite pela liturgia, antes mesmo dos textos.
O método de León XIV tem suas limitações. Sem revisão jurídica de Traditionis Custodes, os bispos permanecem mestres em aplicar estritamente as restrições, e as comunidades apegadas à missa tradicional não se beneficiam de nenhuma nova segurança canônica. A postura romana pode nutrir a esperança sem traduzir a doutrina em direito. Ela não acalma nem a FSSPX, que pleiteia seu recurso contra a excomunhão, nem o campo cardinalício que, com Burke, reclama uma revisão estrutural.
Retemos que a unidade litúrgica da Igreja passa primeiro pela fidelidade ao Concílio, lido em sua continuidade com a Tradição, não contra ela. Rezar a missa, qualquer que seja o missal, no espírito de Sacrosanctum Concilium: nem ruptura, nem imobilismo, mas recepção viva.
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Artigo produzido por inteligência artificial, revisto sob controlo editorial humano.
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