GPA: uma coalizão de Estados leva à ONU o apelo por uma moratória mundial visando a abolição

Seguimento do caso : Misoprostol seul et Jérôme Lejeune : deux visions de l'homme face à face· Episódio 3/6

EuropeReservado a membros 25/06/20262Adicionar aos favoritos

GPA: uma coalizão de Estados leva à ONU o apelo por uma moratória mundial visando a abolição
Illustration : Marie Yukimura Saitō

Uma declaração conjunta apresentada às Nações Unidas pede uma moratória internacional sobre a gestação por substituição comercial. Um sinal forte, mas uma moratória não é uma abolição.

Contexto

Seguimos a lógica da comercialização do corpo humano no âmbito do fio biotech-frontiere-ethique. Um passo decisivo foi dado no cenário internacional: uma coalizão de Estados apresentou ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas uma declaração conjunta pedindo uma moratória mundial sobre a gestação por substituição (GPA), reivindicada como primeiro passo para sua abolição universal.

Os fatos

Durante uma sessão recente do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, cerca de vinte Estados apresentaram conjuntamente uma declaração pedindo uma moratória internacional sobre a GPA comercial, com o objetivo declarado de sua abolição. A França está entre os signatários, em continuidade com a posição do Comitê Consultivo Nacional de Ética (CCNE) e a recusa constante do legislador francês em autorizar qualquer forma de GPA no território nacional.

A declaração baseia-se, nomeadamente, no relatório da Relatora Especial da ONU sobre o tráfico de pessoas (2018), que já havia qualificado certas formas de GPA como tráfico de seres humanos.

Análise doutrinal

A doutrina social da Igreja é clara desde 1987. A instrução Donum Vitae (CDF, II.A.3) condena a maternidade de substituição como "contrária à unidade do matrimônio e à dignidade da procriação". A Declaração Dignitas Infinita do Dicastério para a Doutrina da Fé (abril de 2024, n. 51) reitera essa condenação, qualificando a GPA como "prática gravemente injusta" que "lesa a dignidade da mulher e da criança". Ela pede explicitamente uma proibição universal.

Essa convergência entre o magistério e a razão natural – acessível a Estados de tradições jurídicas e culturais muito diversas – ilustra o que a Igreja chama de lei moral natural: uma norma que toda consciência reta pode reconhecer, independentemente de qualquer confissão religiosa (cf. Gaudium et Spes, n. 16: "No fundo de sua consciência, o homem descobre a presença de uma lei que ele não se deu a si mesmo").

Desafios para a Igreja e os fiéis

Para os católicos engajados em bioética, essa votação na ONU é um sinal encorajador de que os argumentos do direito natural – a dignidade inalienável da mulher e da criança, a recusa da mercantilização do corpo – são audíveis além das fronteiras confessionais. Confirma que as posições católicas não estão confinadas a um entre-si comunitário, mas podem fundamentar convergências políticas internacionais duradouras.

Leitura crítica e pontos cegos

Uma moratória não é uma abolição. A experiência das lutas bioéticas passadas mostra que as moratórias podem se transformar em tolerâncias de facto quando o acompanhamento político falha. Além disso, a declaração visa apenas a GPA comercial, deixando em aberto a questão da GPA dita altruísta – brecha na qual o lobby pró-GPA inevitavelmente se lançará. Os Estados signatários deverão agora converter esse sinal político em direito vinculante, o que pressupõe uma mobilização duradoura e coordenada.

A meditar e agir

"O corpo não é para a fornicação; ele é para o Senhor" (1 Cor 6, 13). O corpo da mulher não é um recurso para alugar, nem o da criança um objeto para encomendar. Que os católicos apoiem as associações que documentam as realidades da GPA e interpelem seus representantes para que a moratória se torne, o mais rapidamente possível, uma norma internacional vinculante.

Para aprofundar

**Recursos:**
- Instrução *Donum Vitae* (1987)
- Declaração *Dignitas Infinita* (2024)
- Relatório da Relatora Especial da ONU sobre tráfico de pessoas (2018)
- Dossiê GPA da *Fondation Jérôme Lejeune* (www.fondationlejeune.org/gpa)

Citação

*« A maternidade de substituição representa uma exploração grave da vulnerabilidade das mulheres, especialmente das mais pobres, e uma violação dos direitos fundamentais da criança. »*
— *Dignitas Infinita*, n. 51

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François-Xavier LemoyneCorrespondant affaires européennes
Correspondant à Bruxelles, il suit les institutions européennes et leurs implications pour la liberté religieuse, la famille et la démographie.
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Comentários (2)
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passionné_eco Arranque25 Jun 2026 · 20:24

Enfin un coup de frein à ce marché qui transforme le corps des femmes en usine à bébés. Le moratoire, c'est déjà ça, mais il faut aller jusqu'au bout.

CurioBretagne Arranque25 Jun 2026 · 14:23

Un moratoire, c'est déjà ça, mais ça ne règle pas le problème. On attend quoi pour interdire carrément ?

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