Ucrânia: a contra-iniciativa de junho frente à retórica de paz

Seguimento do caso : Ukraine et G7 : quand la diplomatie bute sur la réalité des bombardements· Episódio 2/2

MondeReservado a membros 24/06/20262Adicionar aos favoritos

Ucrânia: a contra-iniciativa de junho frente à retórica de paz
Illustration : Marie Yukimura Saitō

Desde o início de junho de 2026, Kiev tem multiplicado operações espetaculares: ataques a Moscou, territórios reconquistados, 300 drones interceptados na Rússia. A Ucrânia estaria retomando a iniciativa? Pierre-Antoine Vasseur analisa esta sequência militar e suas implicações para os cristãos da Ucrânia e as negociações diplomáticas.

Contexto

Tínhamos acompanhado, em nossas edições anteriores, as tensões entre as cúpulas diplomáticas do G7 e a realidade dos bombardeios que continuavam a atingir as cidades ucranianas. A semana de 23 de junho de 2026 marca uma virada operacional: pela primeira vez em meses, Kiev parece retomar a iniciativa militar, enquanto a situação humanitária permanece crítica para os civis e as comunidades cristãs.

Os fatos

Segundo o Le Figaro (24 de junho de 2026), desde o início de junho de 2026, a Ucrânia multiplica operações espetaculares: ataques a Moscou, reconquista de territórios. É a primeira vez, segundo os analistas, que Kiev retoma terreno frente às forças do Kremlin após longos meses. Na região russa de Belgorod, um homem morreu durante um ataque de drones ucranianos (La Croix, 24 de junho de 2026). Do lado ucraniano, uma mulher de 56 anos foi morta em um ataque russo em Kharkiv.

Esses fatos militares ocorrem em um contexto diplomático ainda bloqueado. As discussões internacionais têm dificuldade em produzir um quadro de cessar-fogo crível. Os bombardeios às cidades ucranianas continuam. Kharkiv, segunda maior cidade da Ucrânia, permanece na linha de frente.

Análise doutrinal

A Igreja não pode permanecer em silêncio diante de uma guerra que dura há mais de quatro anos e que já causou centenas de milhares de mortes. João Paulo II lembrava diante do Corpo Diplomático, em 13 de janeiro de 2003, que « a guerra é sempre uma derrota para a humanidade ». Não se trata de um pacifismo ingênuo: é o reconhecimento de que mesmo a guerra justa – e as condições da guerra justa permanecem debatidas neste conflito – deixa destruições irreparáveis.

As comunidades cristãs da Ucrânia – católicos de rito latino, católicos greco-ucranianos, ortodoxos do Patriarcado de Kyiv – estão na linha de frente desde o início do conflito. Locais de culto foram destruídos, sacerdotes mortos, fiéis forçados ao exílio. A Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) documentou essas destruições. São irmãos na fé.

Desafios para a Igreja e os fiéis

A Santa Sé mantém seus canais diplomáticos com Moscou e com Kiev. O papel de Roma neste conflito é delicado: não endossar a agressão russa, não fechar as portas de uma mediação futura. Esse duplo imperativo é difícil de manter. Merece ser compreendido pelos fiéis, que às vezes questionam os silêncios ou as formulações prudentes do Vaticano.

Para os católicos franceses, apoiar concretamente as comunidades cristãs da Ucrânia – pela AIS, pela Caritas, por paróquias geminadas – é uma forma de Igreja universal vivida na provação.

Leitura crítica e pontos cegos

A retomada da iniciativa ucraniana é real. Mas não deve ocultar as limitações estruturais. A Ucrânia continua dependente da ajuda militar ocidental. O cansaço popular na Europa e nos Estados Unidos é uma variável política que Kiev não controla. E cada ataque espetacular, embora militarmente pertinente, alimenta também a propaganda russa sobre a agressividade ucraniana.

O principal ponto cego permanece a situação humanitária nos territórios ocupados. As populações civis, incluindo cristãos, vivem sob ocupação há dois anos ou mais. Pouco se ouve suas vozes.

A meditar e agir

A paz justa – e não a capitulação – continua sendo o objetivo que a Igreja defende. Essa distinção é essencial. Orar pela paz não significa aceitar qualquer « paz ». A justiça é uma condição para a paz duradoura, como lembrou Bento XVI em Caritas in Veritate (n. 35).

Ucrânia, junho de 2026

300 drones interceptados na Rússia em uma única noite. Um morto em Belgorod (Rússia), uma morta em Kharkiv (Ucrânia) durante os últimos ataques. É a primeira vez em meses que Kiev reconquista terreno.

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Pierre-Antoine VasseurGrand reporter, Église universelle & persécutions
Grand reporter, il suit l'Église universelle et les chrétiens persécutés à travers le monde.
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Comentários (2)

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C.M. 25 Jun 2026 · 16:15

Ils avancent, mais les images des villes en ruines me hantent. On prie pour que ça s’arrête vite.

1
sophie.b 25 Jun 2026 · 15:40

C’est vrai que c’est impressionnant ces frappes, mais moi ce qui me glace, c’est de penser aux enfants qui entendent les sirènes tous les soirs.

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